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    RICARDO NASH E O CÓSMICO NA OBRA DE SARA NACH

     
     
    O ARTESÃO CÓSMICO
                                              Ricardo Nash
     
     

    Para os filósofos Gilles Deleuze (1925-1995) e Félix Guattari (1930-1992) a arte não espera o homem para começar. Para eles, a idéia de arte está diretamente atrelada ao ritmo. Ao ritmo das coisas.  E tudo tem ritmo. Até o que consideramos como não-vivo. Assim, todo e qualquer corpo realiza troca com o seu meio. Ao seu ritmo, mas dentro do ritmo do cosmo.  Como um corpo só. Uno.

    O que os pensadores nos apresentam é a possibilidade de perceber que nas relações, sejam elas moleculares, atômicas, humanas (sociais, políticas, etc.), cósmicas, tudo é gerado por algum tipo de troca. Essa troca  produz vibração, produz energia. Produz ritmo. A vibração do corpo humano ocasionada pela troca de oxigênio produz calor.  Calor que nos mantém vivos, no pulsar do coração, no pulsar da vida.

    Toda a natureza está repleta de ritmo. É o ritmo que cria os desenhos e as cores do universo; as oscilações das marés e dos ventos; dos sóis e das luas. É o ritmo que cria os temperamentos; as tormentas e as colheitas. Ritmo é inspiração e expiração do cosmo; do contínuo tempo-espaço em que atuamos com nossas ações.

    Quando se está em sintonia com a vibração do universo tudo acontece. A seu ritmo. A seu tempo.  E somos um, no ritmo do ventre do universo, que pulsa, que dança.

    E dançamos a coreografia do Universo. Ora intempestiva, ora moderada. Às vezes simples, às vezes complicada. Mas, sempre dinâmica.

    A obra de Sara Nach é assim: cheia de movimento, profunda e comovente. Por vezes simples.  Em outras, suntuosas.  Outras tantas, simplesmente linhas. Traçadas por linhas que se fazem contínuas no espaço e que encantam. Um olhar atento às suas esculturas nos evocam lembranças, histórias, sentimentos, emoções. E pedem atenção: o olhar e a escuta. Que seja um exercício de contemplação.  Escutar e contemplar o ritmo do cosmo para ver com outros olhos. Ver e sentir o pulsar do universo, e assim, exercitar o estado natural de ser, em eterno movimento.

    Suas esculturas nos remetem ao pensamento de Deleuze e de Guattari quando estes atrelam a arte ao ritmo do universo, transformando o artista em um artesão que, com sua técnica, seu olhar, seus sentidos, se conecta ao universo e que, com sua obra,  nos conecta, conecta seu público, ao movimento cósmico. Ser uno com o cosmo é ser um artesão cósmico. E Sara Nach é uma artesã cósmica.

    Cabe a nós, como faz a artista, ampliar o nosso olhar, ampliar a nossa escuta; transmutar nossos sentidos e recriar nossa conexão com o infinito; às micro-percepções do ar, do mar, da luz, da terra, do fogo para fundir a percepção com o imperceptível. 

    Sejamos artesãos cósmicos e fundemos...fundemos...fundemos.

    Consulta bibliográfica:

    • Deleuze, Gilles; Félix Guattari. Mil Platôs 4. p. 129. Ed. 34, 1997: SP.
    • Nash, Ricardo. Música e(m) Cena: processo de criação em mídias diversas. Mestrado PUC/SP-2006. Orientação: Sílvio Ferraz.

    Ricardo Nash é ator, músico, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP, bacharel em Comunicação das Artes do Corpo, na área de teatro pela PUC/SP e filho da escultora.  Para conhecer seu trabalho, visite: www.ricnash.multiply.com

    A.Evremidis escreve sobre as esculturas de Sara Nach

     

    A BELEZA SUPERLATIVA
                                        ALEXANDROS P. EVREMIDIS
     
     

    Empatia, simpatia, emoção, paixão? São palavras que com facilidade nascem na mente de quem observa as esculturas de Sara Nach. Comigo foi um pouco além, e a tal ponto que, encantado, subitamente exclamei: Que beleza, que dinâmica, que movimento! E que volume, que plástica, que sensualidade, que expressão! E essas sedutoras saliências e essas acolhedoras reentrâncias, as dramáticas torções!

    Dadas as coordenadas e localizado o epicentro, podemos rodear as obras, rodopiar, dançar, apalpar, acariciar e no instante oportuno penetrar seu íntimo e proceder à impossível, por pertencer aos domínios do mistério, devassa da criação, que é o que Sara Nach narra. Mas antes: onde se originava aquela força motriz que conferia tamanha dinâmica e ondulante movimento no espaço? Não hesitei em responder que era extensão de um movimento interior que nascia nas entranhas de Sara, crescia se avolumava e por fim assim se expressava.

    Quem vive a arte em tempo integral, e mesmo quem não, sabe que obras há que nos fazem franzir o cenho e apertar a vista para apreender o não patente; outras nos levam à reflexão, à meditação, à mais pura contemplação; outras ainda, fantasmagóricas, nos arregalam os olhos; as que atraem e repelem; fazem nossos olhos marearem e, por que não admitir, desandar em lágrimas; e, claro, as que nos subjugam e obrigam a esboçar um sorriso que, sob a contração das inflamadas maçãs, logo se transformam em sol ridente.

    Sara Nach, que carrega um generoso quantum disso tudo, parece ter se tornado instrumento das poderosas forças primordiais, Chaos e Eros, Beleza e Emoção. A beleza, delicada e etérea, nos envolve e mantém suspensos no espaço. A emoção vem como uma enxurrada e nos arrasta, se supera e causa (causou!) comoção geral!

    Visualizo Sara subtraindo ao informe deus porções de matéria, acariciando, configurando com atributos mínimos e animando-as, transfigurando-as em arquétipos, avatares de tudo que depois viria. É esse rito que agora nos contagia orficamente e faz seguir as pegadas da artista, antes mesmo de ela começar a andar. É irrefreável o compulsivo impulso que sentimos diante das suas belas criações: pegá-las e com respiração sincopada percorrer-lhes os aparentes e os recônditos contornos, acompanhar-lhes os sugestivos gestos no espaço, apertá-las ao peito e aninhá-las no colo, sobre elas nos fechar. Tudo para nos tornarmos cúmplices do sublime.

    Domando e mantendo nos limites do necessário a rigidez (para uns, aridez) geométrica da masculina linha reta, Sara fundamentou o léxico formal das obras na estética da curvatura (não se curva o universo sobre si?) cálida e úmida dos arcos, das parábolas, das hipérboles. Observando-lhes as sinuosas e exultantes posturas, sente-se logo por que transcendem o real e se inscrevem no Cosmo como entidades em fluxo e há um tempo em suspensão. São partículas e também são ondas.

    Deixemos Sara no espaço onde construiu sua morada, privilegiado posto avançado de observação das humanas destinações, e falemos do táctil. Suas esculturas em bronze, com estratégicas patinações aqui e ali dialogando com os eventos pictóricos, são de pequenos e médios formatos que se agigantam ao toque do olhar. Dotadas de brilho, reluzem como se de ouro. Patinadas, remetem à afetiva arqueologia da fértil fecundidade. Salta aos olhos que a população é preferencialmente do universo feminino. Pertence a ela, mas também a todos nós. São mães, irmãs, amigas, personagens míticas. São reais e são protéicos protótipos. São bailarinas que exploram as coordenadas do plano. São grávidas (continentes) opulentas, com a personalizada cornucópia recheada do bem supremo, que se ostentam, se espalham, geram espaços e dão seqüência ao elo. São mediadoras da criação primeira e da artística. A mãe é fera que demarca o território da defesa, guardiã que é da vida. Há prosopopéias de emoções e sentimentos cotidianamente humanos - culminante é a comovente mulher atirada "A teus pés". Os fenômenos naturais também são candidamente representados.

     Os homens, embora não centrais, já que a dorsal de Sara é a matriz da Gênese, não estão ausentes e dançam com seus opostos complementares o pas-de-deux: enlaçados, entrelaçados, enamorados ou pairando sobre o grupo família dizem do que nos une - o encontro. O pai, capítulo a parte, está parafraseado no suspiro "Oi Guevalt", algo como "Ai que violência, que sofrimento!". Uma figura ajoelhada, peito aberto às investidas, braços e olhar para os céus. Não há cenografia nisso, nem excesso de poesia. Se sofrer é melhor que o nada, compaixão é sofrer junto.

    Proceda-se a uma dramática redução escalar das obras de Sara Nach e alguns felizes terão jóias perenes com que ornamentarem as perecíveis carnes. Ampliando-as em dimensões heróicas e incrustando-as no firmamento seremos todos democraticamente contemplados pela Beleza - ela piscando de lá e nós co-respondendo de cá.

    Depois perguntam: Para que serve a arte? Sei eu lá! Vai ver que é para ser servida - no café, no almoço, no jantar, nas 24 frações de vida que, de cada vez, nos é concedida.

    Alexandros Papadopoulos Evremidis- Crítico de arte independente. Diretor-editor do Jornal virtual RioArteCultura.com 

     

    Texto de Oscar D'Ambrosio para obra de Sara Nach

      

    NO UMBRAL DO PORTAL
                                       Oscar D'Ambrosio
     
     Para mim não há passado ou futuro na arte. Se uma obra não pode viver sempre no presente, ela não pode ser absolutamente considerada”. As palavras de Pablo Picasso fornecem uma pista para penetrar no mundo escultórico de Sara Nach, movido pelo impulso de criar.

    Suas imagens, seja de mulheres grávidas, da mítica Perséfone, de cavalos ou de guardiões e anjos, mantêm em comum um mesmo traço: a permanência nelas de um gesto visceral, ainda mais reforçado quando se observa o brusco corte em planos que oferece uma ruptura naquilo que se espera na composição das linhas.

    A escultura chamada Sonia, (na foto ao lado) que integra uma série dedicada às mulheres, possui não só movimento, mas principalmente um dinamismo na composição que aponta para uma artista que encontra em cada técnica um local para aprendizado e experimentação, seja na modelagem, na cerâmica, no desenho ou no sumiê.

    A inquietação contemporânea da obra de Sara se cristaliza na maneira como as pernas da escultura apontam para o alto. Há um desejo sempre presente de elevação e de renovação constante. A melhor escultura será eternamente a próxima e a obra merecedora dos maiores elogios estará certamente no umbral do portal da própria consciência, pronta a ser retirada da argila, fundida em bronze e patinada.

    Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

    abril de 2008 7:29 | Adicionar scrap |

    SÔNIA HIRSCH ESCREVE SOBRE A INTENÇÃO NAS ESCULTURAS DE SARA NACH

     

    A INTENÇÃO REVELADA
                                           Sônia Hirsch

     

    Um objeto atrai a atenção.

    O olhar desliza pela limpeza da forma, sente a textura,

    percebe o brilho, pousa no detalhe.

    Subitamente a intenção se revela.

    A emoção dá vida ao bronze,

    e é possível apalpar o movimento e a pulsação

    que ele ao mesmo tempo encerra e irradia.

    Forma, conceito, conteúdo, sentido, ritmo – e o prazer de

    criar contagiando o prazer de olhar.

    A escultura de Sara Nach amadureceu ao longo dos anos

    num percurso interior, isolado,

    somando conhecimentos de áreas profissionais tão

    diversas

    quanto texto, artes gráficas, editoração,

    arte-educação, teatro, cerâmica,

    e hoje se multiplica em objetos como a música em

    sinfonias.

    Seu universo é feminino e sua sinfonia também.

    Às vezes allegro, às vezes lento,

    cada movimento é pleno de força e estilo.

    Sara Nach nos presenteia com esculturas que ficam

    como palavras sólidas,

    pulsantes, eternas.

     

     

    Sonia Hirsch  é escritora e pesquisadora.

    Autora de "Manual do Herói", "Só para Mulheres",

    "Os Gatos",  entre tantos outros.

    EMANUEL MASSARANI ANALISA OBRA DE SARA NACH

     

    FIGURAS E ANIMAIS

    QUE NASCEM DE

    UM MAGMA PRIMORDIAL

     

    As esculturas de Sara Nach revelam uma aguda tensão imaginativa que estabelece o seu equilíbrio na relação entre superfícies patinadas refinadamente e outras brilhantes e douradas, entre planos que deslizam, sob a reverberação da luz e outras que se crispam.

    As formas de suas obras são repletas de um dinamismo cuidadosamente controlado e parecem equilibrar-se numa delicada posição entre moto e imobilismo. A vitalidade que essa relação cria consiste, em modo paradoxal, no sentido de paz que elas transmitem. São, portanto, coerentes com a visão que seu criador tem da experiência de vida e esse é um ponto que vai, em certo modo, além da constatação do talento.

    Alcançar o essencial do caráter para suas figuras não constitue um problema para Sara Nach: manchas, linhas e massas se assimilam num jogo de compensações plásticas para criar documentos onde a continuidade do espírito dramático vem envolvida num conjunto de princípios expressionísticos e simbolistas.

    Trata-se de uma criatividade altamente válida e pessoal, na maioria das vezes impressionante pela sua força expressiva e pelo valor dos efeitos técnicos obtidos.

    Nas suas esculturas a dinâmica volumétrica orquestra plenos e vazios em sucessões quase seqüenciais e unem o pensamento com a composição, materializando fantasia e humores, num discurso que engloba figuras e animais que nascem de um magma primordial.

    Emanuel von Lauenstein Massarani: crítico de arte e superintendente do Patrimônio Cultural da Assembléia  Legislativa  do Estado de São Paulo - SP Brasil

    ANTÔNIO LUIZ DE CASTILHO ANALISA UMA OBRA DE SARA NACH

      
    RUPTURA DE CLICHÊS
                          Antônio Luiz de Castilho 
     
              
     
    Sara Nach  é uma  escultora paulista cujo trabalho tem sido apresentado em  freqüentes ex­posições individuais e coletivas.
     
    cara metade Cara-Metade (bronze com pátina verde) é obra em que o belo se transborda num convite à reflexão, pois expressa inconscientemente uma visão sobre o amor que desafia o senso comum.
     
    Sua singularidade é a ruptura com os clichês da cena amorosa. Homem e mulher não estão se beijando ou se abraçando. Também não estão em pé ou deitados, em en­levo romântico. Em lugar disso, o casal esta sentado no chão, evidenciando a estabilidade de sua condição. Quem se senta no chão e se ampara no outro não pode mais cair, na sugestão de um destino amoroso consolidado.
     
    Passemos ao estudo simbólico das formas: há triângulos visíveis nas pernas e no vazio delimitado pelo braço/perna direitos e tronco masculino. As pernas femininas, em sua pujança, são como montanhas a circundarem o corpo da mulher, de modo paradoxalmente convidativo e interditório, formando, entre si, uma estreita passagem, à feição de um desfiladeiro.
    Podemos então vislumbrar que a escultura se transfigu­ra nos grandes temas da psicanálise que irrompem de si. O triângulo é o símbolo por excelência do Édipo. A perna direita feminina, arredondada, envolvente em suas en­trâncias, nos remete a um real extasiante em sua materia­lidade, dimensão regida por um além do princípio do pra­zer, onde pulsionalmente vigora a pura vontade de gozo. E a outra perna feminina, cindida e aplainada na forma de urna tábua, evoca o universo da lei, inscrevendo o desejo no campo social da linguagem. A lei, assim, é a guardiã do desejo, ao subordiná-lo ao principio da realidade e articu­lá-lo às interdições e prescrições da cultura.
     
    A obra é ainda permeada pela idéia de apoio, através de uma estética sutil e instigante: o casal se ampara reciprocamente sem se tocar ou se fundir. Uma linha de vazio separa as partes próximas das figuras. A cabeça feminina não é complemento de forma da cabeça masculina e vice-versa. Também es­tão perdidos o braço esquerdo mas­culino e o direito feminino, gerando um vácuo central. Exsurge aí outro conceito psicanalítico essencial: o de castração, atinente à falta humana fundamental que nenhum objeto pode preencher, e que faz do vazio o cerne do desejo.
     
    A despeito de seu nome, Cara-Metade não apresenta o amor na forma de junção narcísica de par­tes complementares, em que homem e mulher buscam no outro a obturação de sua cárie existencial. O vazio entre as figuras e a inde­pendência sutil das cabeças, que se apóiam sem se fun­direm, passa-nos a lição de que o amor adulto não é o da recuperação da unidade perdida, mas o da parce­ria na diversidade. Assim, a sabedoria da escultura é preconizar um amor equilibrado entre Eros e Philia, em que o ajuste de subjetividades toma saudavelmente o lugar da angústia por completude.
     
    Juntos (lado a lado), mas ontologicamente separa­dos, homem e mulher olham para o mundo e para nós e parecem querer dizer que perdemos o irrecuperável (a fusão com a mãe) para ganharmos o amor possível: a união erótica com o outro na precariedade do ser e do tempo, mas na grandeza de seu assentamento sobre o chão infinito da liberdade.

      

     Artigo de Antônio Luiz de Castilho
     Especialista em Teoria Psicanalítica pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)
     para o CADERNO PENSAR do Jornal “ESTADO DE MINAS”
     de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, Brasil. 

    OSWALDO NÉVOLA FILHO DEDICA POEMA "DOM" PARA A ARTISTA PLÁSTICA SARA NACH

     
     
      O EXCELSO DOM DE ESCULPIR
                                           por Oswaldo Névola Filho
      
      (Poema publicado na coluna   Panorama das Artes, no
       Jornal Vicentino,    da cidade de São Vicente - SP/BR) 
     
     Movimentos ágeis.
     Sensibilidade aflora,
     Criações férteis,
     Mãos frágeis, delicadas!
     Geometria abstrata,
     Envolve humanas formas,
     Mãos sovam a argila,
     Mágica essência terrosa,
     Harmônicas composições,
     Fundem-se na fórmula química,
     Sílica, alúmina e água,
     Numa ação conjunta,
     Ao calor provindo dos toques,
     De abençoadas mãos!
     Divino dom de esculpir,
     Perfeita individualidade,
     Inconfundível autoria!
     Flexíveis inventos,
     Espectadores cúmplices,
     Espiam, buscam vislumbrar,
     Aura da arte implícita!
     Peças indimensionais,
     Exprimem o sublime dos corpos,
     Exaltam ingênua sensualidade,
     Inerente ao excelso
     Universo feminino!
     Uma visão pura e clara,
     Das obras únicas, sem par,
     De Sara Nach! 
     
     
    OSWALDO NÉVOLA FILHO, nomeado "Intelectual do Ano" em 1998,
    pela Sociedade de Cultura Latina do Brasil,
    era poeta e professor. Foi  também coordenador deliberativo da Casa do Poeta Brasileiro - POEBRAS,
    presidente da Casa do Poeta Brasileiro de São Vicente
    e diretor-assistente do Instituto Histórico e Geográfico da Cidade de São Vicente.
    Ao Oswaldo, poeta, falecido aos 57 anos, no dia 15 de setembro de 2003,
    que tão carinhosamente me recebeu em sua cidade,  presto aqui minhas homenagens  póstumas.  
     

    PERSÉFONE DE SARA NACH E AS MULHERES E AS ROMÃS DE ADÍLIA BELOTTI

    As mulheres e as romãs...
                                      Artigo de Adilia Belotti
    Surpresas são uma delícia!
    Uma amiga chega com o livro “Sopa de Romãs”,
    da autora iraniana Marsha Mehran. Diz que a
    combinação de histórias, cozinhas mágicas onde fervem caldeirões de aromas exóticos e
    emoções  temperadas de fantasias, tinha tudo 
    a ver comigo...
    Amigas são assim, espelhos generosos de nós...
    Nina Horta fez a saborosa tradução do livro e
    adaptou as receitas que vão pontuando a
    narrativa costurada com as cores
    da tal cozinha mágica: dourados de samovares
    antigos,anil de ladrilhos e vermelhos... de romãs.
    Romã aqui para nós é frutinha de quintal, daquelas que não vão pra mesa de festa, ficam no pé, ao sabor das crianças e dos passarinhos... no Dia de Reis lá em casa,
    faziam parte do ritual de prosperidade que incluía comer um bago, escolher seis sementes, jogar o resto para trás e guardaras sementes secas na carteira até o ano seguinte.
    Romãs são símbolos tradicionais da fecundidade, em alguns lugares da Ásia a fruta aberta representa a própria vulva. Na Grécia, era a fruta de Afrodite, a deusa do amor e da beleza e de Hera, a deusa que regia os casamentos e os partos. Também é parte de um dos mitos mais antigos e mais profundamente relacionados aos mistérios femininos.
    A história de Deméter e de sua filha, Perséfone.
    A bela e jovem Perséfone, filha do poderoso Zeus e de Deméter, a grande deusa da Natureza, colhia flores junto com as Ninfas, na planície de Ena, sob o sol da primavera na Sicília. Tão linda
    e tão iluminada em sua juventude que Hades, senhor do mundo subterrâneo se apaixonou perdidamente por ela. E lá estava então a moça, na campina florida quando reparou em uma flor estranha, bela e de perfume desconhecido, irresistível, um narciso, na verdade,
    mas da espécie que só floresce nos sonhos. Maravilhada, a moça se afastou das companheiras querendo aproximar-se do tufo de cores que, aparentemente, só seus olhos viam. No momento em que se abaixou
    para colher a flor magnífica, no entanto,
    a terra abriu-se sob seus pés e de suas entranhas ela viu emergir o carro negro puxado por quatro cavalos selvagens e igualmente negros do Senhor das Trevas, imponente, belo e terrível. E num segundo, Perséfone, mergulhada em encanto e terror, é raptada e levada para
    as profundezas do reino de Hades - ou Plutão.
    Raptos não chegavam a ser incomuns naqueles tempos, mas Hades talvez tenha subestimado sua futura sogra. Deméter, inconformada com a partida da única filha, refugiou-se na tristeza e deixou de cuidar da terra, que cobriu com sua própria desolação. A história das peregrinações de Deméter em busca de Perséfone é
    longa e tão obstinada que Zeus, vendo as sementes murcharem antes de germinar e os campos mergulhados num inverno estéril e
    sem fim, resolveu intervir. Comandou a volta de
    Perséfone da mansão de Hades, mas a ordem chegou quando já era tarde...
    Hermes ou Mercúrio, o mensageiro de Zeus chegou ao mundo dos mortos para fazer cumprir os desejos do grande deus e encontrou Hades, magnífico, e a bela Perséfone juntos, sentados em imensos tronos negros
    de ébano. Antes de deixar a noiva partir, Hades deve ter murmurado ao seu ouvido
    palavras ardentes e ofereceu-lhe numa bandeja de delícias, uma romã, que a jovem provou encantada e sem saber que nem mesmo Zeus poderia tirar do mundo subterrâneo
    uma criatura que tivesse bebido ou comido algo de lá. Foram seis gominhos de romã que tornaram a jovem para sempre Senhora do Reino das Sombras, ao lado de seu terrível e poderoso marido.E foi assim que Deméter, bondosa mãe da Natureza, teve que resignar-se a ter a filha junto de si apenas por alguns meses no ano, sempre ao findar do inverno,
    quando Perséfone chegava iluminada, carregando nos pés a Primavera, mais uma vez... e foi assim também que as criaturas tiveram que se acostumar com o ritmo circular
    do tempo, com o eterno germinar das sementes,
    do caminho de todas as coisas do escuro para a luz e de volta, sem parar...
    Romãs... quem diria...tem tudo a ver conosco..."
     
     
    O artigo “As Mulheres e as Romãs” de Adília Belotti,
    jornalista e escritora foi publicado
    originalmente no site SOMOS TODOS UM  e tem
    autorização da autora para estar aqui a pedidos da
    artista plástica.

    (Para ler " Sopa de Romãs", de Marsha Mehran, editora Jaboticaba, tradução de Nina Horta).


    ROBERTO CABARITI APRESENTA O TROFÉU "JOÃO UCHÔA BORGES", CRIAÇÃO DE SARA NACH PARA A ACESC

     

    DISCURSO DE APRESENTAÇÃO 

    DO TROFÉU "JOÃO UCHÔA BORGES"

                                               de ROBERTO  CABARITI

     

    "Na  qualidade de Presidente do Conselho Superior da ACESC - Associação de Clubes Esportivos e Sócio Culturais de São Paulo parabenizo todos os participantes do Concurso de Troféus da Maratona Cultural e desejo felicidades e sucesso, na certeza de que suas apresentações e seus trabalhos, por si só, serão merecedores do maior reconhecimento por sua qualidade e atributos artísticos que todos nós teremos o privilégio de apreciar.

    Esta noite também me sinto profundamente honrado com a oportunidade de homenagear o nosso saudoso amigo e grande personagem da história paulistana, João Uchôa Borges, ilustre advogado, empresário e fundador e ex - presidente da Associação de Clubes Esportivos e Sócio Culturais de São Paulo, órgão que desde a sua fundação vem desenvolvendo ativamente o intercâmbio de idéias e a mais produtiva discussão de temas sempre voltados ao aprimoramento da atividade clubística e, sobretudo, ao atendimento cada vez melhor dos anseios e das necessidades de nossos associados.

    Durante a sua vida, João sempre se dedicou com brilhantismo às causas benemerentes, sociais e culturais de  inúmeras entidades, como:  Automóvel  Clube de São Paulo,  Sociedade Harmonia de Tênis, Jockey Club de São Paulo, Nacional Club de São Paulo, São Paulo Clube, SindiClube – Sindicato de Clube do Estado de São Paulo, Conselho Superior Interclubes,   Associação Comercial de São Paulo, Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, Fundação Barão de Souza Queiroz, entre muitas outras. E em todas elas demonstrou o seu espírito de liderança e o carisma que cativava a todos em volta, deixando seu legado marcado em nossas mentes e corações.

    Em reconhecimento a este importante trabalho e à pessoa magnífica que sempre foi a partir de 2006 instituiremos o troféu João Uchôa Borges, de caráter definitivo, e que premiará anualmente a agremiação com maior destaque de participação nos âmbitos Cultural e Esportivo na ACESC. O trabalho é uma belíssima escultura da artista plástica Sara Nach, e trata-se de uma singela homenagem ao nosso grande amigo e mentor, com o intuito de preservar sua memória, lembrando seu entusiasmo e vigor com que se dedicava ao trabalho em prol dos clubes, sempre realizado com muita alegria e energia redobrada.

    Estou certo de que nesta noite, onde quer que ele esteja, nos vendo assim reunidos e alegres, juntos de sua linda família e antigos amigos, João Uchôa se faz presente neste congraçamento, com seu sorriso espontâneo e palavras certas para nos sugerir sempre o melhor caminho a seguir.    

    Por fim, sinto-me no dever de enfatizar a importância e a seriedade com que as Diretorias Culturais de todos os clubes filiados encaram esta Maratona e parabenizá-las calorosamente pelos extraordinários resultados que têm gerado no decorrer destes anos. E estendo os meus sinceros agradecimentos e elogios ao Clube Atlético Paulistano na pessoa do seu presidente José Manoel Castro Santos, que nos recepcionou de forma primorosa, como sempre o faz, demonstrando extrema cordialidade e oferecendo o mais perfeito atendimento, qualidades essas que despertam em todos nós a mais profunda admiração e empatia por esse tão importante clube da cidade de São Paulo.

    Muito obrigado."

    Discurso proferido por Roberto Cabariti,  Presidente do Conselho Superior da ACESC, Associação de Clubes Esportivos e Sócio Culturais de São Paulo,  na noite de 26 de junho de 2006,  nas dependências do Clube Paulistano, por ocasião da instituição do troféu “João Uchoa Borges" e do concurso anual de troféus da Maratona Cultural.